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A Chefe

E se eu te disser que não adianta colocar mulheres em posição de poder?


Um sistema falido


Enquanto a estrutura de poder que dificulta a chegada de mulheres a posições de tomada de decisão não mudar, vamos viver no paradigma que falsamente transforma exceções em modelo da regra. O tempo que eu levei para achar a fotografia aí de cima é um dos indicativos de que a atual estrutura de relações profissionais está decrépita: duas mulheres - uma delas negra - em posição de poder é uma imagem ainda rara no imaginário coletivo. E é desse imaginário que eu quero falar.


Infelizmente, as mulheres que chegam - com muito esforço - em posições de poder se vêem forçadas (conscientemente ou não) a se moldar a um sistema que as faz abandonar modos e características do feminino, porque o modelo de sucesso que nos foi enfiado goela a baixo é aquele que premia um comportamento masculino (pra priora, tóxico) e o que vemos é que ainda persevera a visão de mundo que para ser chefe é preciso ser duro.


Acredito que essas conversas vão se ampliar e o debate vai chegar de fato onde interessa: um desprezo pelo feminino e a tudo o que está associado a ele. Por séculos em que o pensamento ocidental se estabeleceu como hegemônico, fomos ensinados a associar o Feminino à mulher e o Masculino ao homem, mas basta recorrer à sabedoria milenar do Oriente para perceber que não é bem assim que a banda toca. Nessa perspectiva, os tais Yin e Yang são simplesmente duas formas de manifestação da vida: ação e recepção, movimento e quietude, quente e frio, seco e molhado... e mais que tudo: não há juízo de valor entre elas.


Todos trazemos essas características de equilíbrio e vamos sendo moldados pela sociedade que ensina essa separação sem sentido: e foi justamente essa separação que nos levou a um caminho de dor - seja no âmbito individual, familiar, profissional, social. Eu digo que não adianta ter mulheres em cargo de poder porque na grande maioria dos casos elas serão forçadas a performar de modo que uma dessas energias se imponha sobre a outra - a gente sabe quem tá ganhando, né?


A boa notícia é que o ser humano é resiliente e não desiste fácil. Tem muita gente tratando de mudar a si mesmo - porque essa é a primeira e mais importante instância de poder que temos - e consequentemente conseguindo inspirar os que estão ao seu redor a fazer o mesmo. Buscando esse encontro saudável entre masculino e feminino. E claro que tem muita mulher exercendo com equilíbrio suas funções em altos cargos - obviamente vale a pena que elas estejam ali, esse texto é um chamamento para o debate, um pedido para que elas busquem estar nesses espaços de forma consciente, completa.

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Lisboa - Portugal