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Competição vs. Cooperação

O mundo cão nos chama diariamente e competir - por espaço, por reconhecimento, pelo tal do capital. Mas a pergunta que não quer calar é: onde foi que isso nos trouxe?

O grupo de felinos pode ser um ótimo exemplo para delimitar os dois conceitos.


Tática


Já que a Natureza é a principal justificativa para quem defende um comportamento competi-

tivo por parte do ser humano, vamos a ela: o rei dos animais faz parte de um bando. Ponto.


Leões trazem a juba, o porte e o rugido que impõem respeito (lê-se: medo) a outros animias e isso tem sim uma função no panorama do qual fazem parte, mas o que ninguém te conta é que isso não é o suficiente para manter cheia a barriguinha do bonito. Na grande maioria dos grupos, quem de fato persegue, alcança e mata a presa é a Sra. Leoa - só que também ela não trabalha sozinha. Há felinos solitários, e que caçam sozinhos, há - mas eles são a exceção da regra, pela simples razão de que a cooperação leva a uma maior eficiência.


Essa visão de mundo que supervaloriza a competição em relação à cooperação é fruto de uma alucinação do ser humano. Sim, a alucinação que nos viu como seres especiais, desta-

cados do resto das outras espécies, conquistador da vida selvagem. Oi? Que ano é hoje, minha gente? Convenhamos, já tem muita informação rolando em rede para não estarmos repensando esse modelo de comportamento coletivo.


Tem a Biomimética, que nos mostra como a Natureza é uma fonte riquíssima de informação e de soluções para as nossas questões. Os mais diferentes campos de estudo das ciências humanas como a Filosofia, Psicologia e a Sociologia já gastaram bastante saliva, papel e tinta tentando mostrar que uma postura puramente individualista não só não é legal, mas é burra: o que nos trouxe até aqui como espécie foi a colaboração, porque a desvantagem física em relação às demais espécies nos fez criar estratagemas.


Então, não é que a cooperação seja um conceito de cirandeiro paz e amor (aliás não entendo a birra com a ciranda, dançar em grupo é incrível) mas um comportamento inteligente, que garante a existência de um grupo. Basicamente o risco de morrer nos fez pensar, e raciocinando entendemos que viver juntos era mais seguro. Agora eu me pergunto o que aconteceu para o ser humano interromper uma postura que o salvaguardava... sério, a gente corre o risco de ser a primeira espécie responsável pela própria extinção.


A competição pode sim ser muito útil, se ela for usada como um parâmetro de evolução pessoal: a vontade de me tornar hoje alguém melhor do que eu fui ontem. Fica aqui a minha humilde sugestão: ao invés de usar os outros como degrau para se aperfeiçoar, todo os dias ao acordar pela manhã, faz uma aposta com o espelho.

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