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Recalculando Rota

Atualizado: Jul 17

Há momentos em que a gente não curte muito a paisagem que a janela mostra, viagens de avião que nos fazem querer ter escolhido ir de ônibus, a trilha sonora do companheiro de carro que dá vontade de sacar aquele fone gigante da mochila, e tem vezes que a estrada simplesmente nos leva a um beco sem saída.



O que aconteceu com a Pulsa?


Oi pra você que sempre acompanhou a Pulsa, curtindo os encontros que a gente promovia, participando das oficinas e workshops, ou dando aquela moral pro nosso trabalho mesmo à distância. Você deve ter se perguntado o que aconteceu para a agenda simplesmente desaparecer. Depois de digeridas as pedras que o caminho apresentou, vamos falar disso.


Antes de tudo, deixa eu me apresentar pra quem não me conheceu pessoalmente: eu sou a Mari :) E para você entender o desfecho final - essa mudança de direção que a Pulsa tomou em 2020 - acredito que vale a pena te contar como tudo começou.


No início de 2017, depois que a Pulsa foi renegada pela agência de publicidade que incubou o projeto inicial, recebi o convite para entrar em parceria com uma então amiga, e juntas decidimos tocar dois projetos: "O Futuro É Feito À Mão" e a Pulsa. O primeiro tinha uma pegada mais artística, autoral e a Pulsa continuaria sendo uma produtora de cursos livres.


Sabe quando a gente entra numa fria? Eu fui pra Antártica. Essa semana viralizou nas redes a história de relacionamento abusivo entre um casal de pessoas públicas, e sempre que casos assim ganham destaque eu me lembro de como esse tipo de interação pode se estabelecer nos mais diversos âmbitos da interação humana. De casos amorosos, passando pelas amizades e até relação familiar. Eu já tinha consciência de que essa parceria profissional tinha sido uma relação abusiva, mas só hoje tive coragem de escrever sobre isso.


Acho importantíssimo lembrar - como bem falou a moça do vídeo viral - que normalmente o abusador não tem consciência de que está exercendo esse papel, mas é válido salientar que isso pouco muda a dinâmica das relações. Foram cerca de 8 meses de sociedade, em que eu era a parte que segurava a bucha: quando era conveniente ela se comportava como se o projeto fosse só dela, em outras situações agia como se trabalhasse pra alguém se isentando de responsabilidades. Não vou entrar em detalhes, porque esse não é o escopo do texto e porque a última sentença do parágrafo anterior define esse período e também o processo de dissolução da parceria.


Passei a tocar tudo sozinha em meados de 2018 e preciso dizer, porque trabalhei muito para isso acontecer, a Pulsa ganhou outra proporção - financeiramente, em termos de imagem, na expansão da curadoria, atraindo inclusive concorrência de peso: o que não é pouco para quem foi Criação, Comercial, RH, Contabilidade, Marketing, tudo ao mesmo tempo. Um ano e meio de muita aprendizagem e alguns sacrifícios, mas que valeram suuuuper a pena!


A gente se envolve mental e emocionalmente com o que faz, não tem jeito.. e uma das grandes vantagens de empreender é que você consegue dar a cara que quiser pro seu trabalho: seus valores e princípios ficam estampados no seu negócio. Fui buscando me aproximar de pessoas que mostravam ter ideias afinadas com as minhas e fazendo novas parcerias porque o modelo de negócio da Pulsa dependia disso. Pra encurtar a história: em ambientes ditos progressistas, pautados pela nova economia e a energia da cooperação encontrei pessoas que se comportavam de modo completamente diferente do que diziam.

Eu vinha de um processo de tomada de consciência já alguns anos, sobre como a bandeira importa pouco se você não consegue colocar o que prega em prática: a dissonância entre discurso e praxis faz parte desse caminho, não me entenda mal. Mas foi com outras duas puxadas de tapete que minha ficha caiu - eu também estava sendo incoerente. A vida me capacitou a me virar nos 30, não à toa todo esse tempo me rendeu uma boa sensação de satisfação por conseguir ser várias em uma, mas eu não estava regando meu jardim.

Uma conhecida diz que "o Universo puxa o tapete pra fazer a gente dar cambalhota e parar em pé" e foi isso mesmo que aconteceu. Eu tenho um perfil mais criativo - de fazedora - e em uma situação muito frustrante percebi que estava estimulando essa faceta nas pessoas mas tinha deixado isso de lado em mim. Precisei parar pra digerir esse belo tapa na cara que a Vida tinha me dado e entender o que fazer em seguida.

Foi assim que cheguei a Lisboa. Foi assim que entendi que precisava viver o que eu antes estava produzindo para terceiros. Foi assim que percebi que o caminho me guiou por onde eu deveria andar exatamente para estar aqui hoje. E foi assim que a Pulsa passou da produção de cursos livres para a curadoria de experiências. Estou começando por Lisboa, mas a estrada é longa e "these boots are made for walking".


A ideia é que vivenciando a minha Criatividade em sua plenitude eu possa te inspirar a fazer o mesmo por si: porque a verdade é que a gente não muda ninguém, o que fazemos é no máximo servir de farol. Tipo aquelas lighthouses que piscam uma Luz para os navios se orientarem, sabe? Ou como a máquina que bombeia um vermelho vivo, e faz seu corpo vibrar... tum tum, tum tum.


Escute bem: o coração é importante, mas há Algo Maior que Pulsa dentro de você. ;)

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Lisboa - Portugal