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"Só os loucos sabem..."

Atualizado: Jul 24

O tão anunciado futuro do trabalho chegou. Chutando a porta do escritório. Pra rua. Pra casa, mais precisamente. Há quanto tempo se fala de homeoffice, coworking, jornadas flexíveis? Tem um tempinho, né? Quem falava sobre esses temas? O momento que vivemos é um grande alerta - ou deveria ser: ouçam os loucos!



O Status Quo


Ser humano não gosta de mudança, isso é uma fato. O que é muito esquisito se a gente pensa na teoria evolucionista: os mais flexíveis perduram, observou Darwin. E sim, são os mais flexíveis, não os mais fortes - essa última interpretação é (e sempre foi) wishfull thinking de quem quer justificar posturas opressoras. Se a capacidade de adaptação define a permanência da Vida, a resistência à mudança não é natural e não deveria ser normalizada.


Mas é... a gente se acostuma a situações de desconforto - de dor até - porque fica com receio, medo mesmo, do que pode acontecer. Acabamos preferindo nos manter em lugares, relações, empregos, simplesmente porque já aprendemos a lidar com aquilo ainda que seja ruim. E infelizmente isso é estimulado na sociedade contemporânea: a estabilidade é supervalorizada, sobretudo no âmbito profissional.


O resultado é um bando de gente infeliz, trabalhos mal feitos, empresas pouco eficientes, uma sociedade estagnada.

Parece catastrófico? Pois é. Só que é essa mesma linha de raciocínio com base na aversão à mudança que nos faz crer que não seja: o receio de fazer diferente faz todo mundo acreditar que "é assim mesmo". Pois não deveria ser. É realmente assustador perceber que a grande maioria das pessoas aceita as coisas como são só porque são; como se não pudéssemos mudar, fazer diferente.


E o mais estranho disso tudo é que quem percebe a desfaçatez no conjunto da obra é considerado louco, ingênuo, utópico... Ontem mesmo falava com minha irmã sobre como esses temas (trabalho remoto, jornada reduzida, colaboração) eram o que mais saia da minha boca, cinco anos atrás. A grande questão aqui, é que o sistema que construímos como coletivo de seres - ditos evoluídos - não dá voz a quem enxerga as possibilidades de mudança do status quo; quanto mais dar espaço em posições de tomada de decisão.


Foi necessário uma tragédia biológica para que essas questões fossem consideradas. Fomos todos forçados a vislumbrar a mudança. No entanto, o estabelecido insiste em ser conservado (nem que seja à força) pois há organismos que vivem em autossabotagem - para esse comportamento eu ainda não tenho teoria, mas a louca aqui sabe: todo sistema tende ao equilíbrio e uma hora ele chega, por bem ou por mal. E nunca é demais lembrar: não são os mais fortes que sobrevivem, são os mais flexíveis.

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